domingo, 10 de março de 2013



Boa noites crianças docinhos de todas as idades! 


Hoje passei pela primeira prova de fogo, almoço com primas, irmã, cunhado, primo, enfim, família.
Cardápio: Lasanha, sabor de diversos queijos, frango assado, e saladas diversas. Hum, ate tudo bem no almoço, frango, saladas... Mas a sobremesa foi uma torta de chocolate e um bolo recheado com abacaxi ( isso doeu ). 
Pela primeira vez na vida olhei na boca de todos, salivei, salivei e saí da mesa...vi eles sentindo prazer em sentir o açúçar, o doce na lingua, e escorregando pela garganta. Salivei com vontade de chorar. 
Peguei uma xicara, adoçante e tomei um cafezinho, olhando todos comendo os doces. Eu, que sempre fui prima-irmã das formigas, não poder comer doces, isso parece fácil, mas não é mesmo. Ficamos mais gulosos, ficamos sonhando com doces, ficamos querendo comer o que não está mais na lista das coisas permitidas.
Por Deus, eu não vou ser vitima da doença, mas nunca mais ninguem irá comer sobremesa sem lembrar de mim, porque eu vou lembrar de mim, e vou levar minha sobremesa diet onde eu for. 
Nesse novo contexto em que fui jogada, não pedi, mas não vou ser vítima, jamais! Estou provando de momentos estranhos, muito estranho. Agora, penso que seja uma turbulência momentânea, algo transitório, porque vou aprender cuidar de mim. 
Por ora vislumbro precipícios, porque tudo me assusta, tenho medo de comer, muito medo, por isso ando com dificuldade de comer o que me foi prescrito pela nutricionista. Mas o doce dos doces ainda me faz salivar. 
Não é nem um pouco confortador acreditar que não tem cura pra DM, e ficamos com aquele sentimento desarmônico fazendo bagunça dentro da gente. È indisfarçável meus receios, medos e dúvidas. Meu organismo reage a tudo de forma muito intensa.
Aqui dentro de mim há um congestionamento de sentimentos que por vezes me sinto tonta. Vezes é ira, revolta. Noutras medo, pânico e solidão. Ainda não atingi o estágio do conformismo.
Há uma mega incompatibilidade entre eu e a diabete. 
Sinto como se tivesse um vaso de cristal quebrado dentro do meu peito e os cacos fazendo sagrar meu coração. 
Como reinventar uma nova vida pra sobreviver?
Meio século vivido e tudo novo na minha vida... Fui jogada dentro dum poço, afundei na água turva e estou submergindo assustada. O tombo foi tão violento que saiu tudo do lugar de dentro de mim.
Estou sutilmente rearrumando essa desordem.
Preciso ainda de tempo pra domesticar meus medos, os fantasmas que me assustaram e reorganizar minha vida. Mas uma coisa é certa, eu creio em milagres, eu creio em milagres. 
Vou interditar esse cansaço que me abateu, essa fragilidade toda e preciso seguir. 
Hoje senti na pele o que é me sentir excluída, não sentar junto com pessoas que comem a sobremesa. Pode parecer bobagem, mas só quem passa é que entende que pequenas coisas fazem as diferença quando estamos fragilizados.
Ah! Mas pode comer um pouquinho! Isso todo mundo receita. Não, sou terrivelmente chata, pra mim é tudo ou nada, de que me adianta lamber a colher, enquanto os demais ficam estufados de tanto comer... Apenas preciso ir aprendendo, criando minhas receitas, respeitando sempre as quantidades que me são permitidas. Perder a visão não foi nada agradável, ainda tenho muita dificuldade pra enxergar, sem oculos é nula minha visão. Um oculos com quase 6 graus, outro com outros tantos graus. 
Estou sendo dramática? 
Rogério, Fernanda, Carol entre outros amigos e amigas do grupo V.I.D.A que contem suas historias como diabéticos. A vida deles é normal entre aspas, mas e as mamães pâncreas? 
Minhas revelações são relatos da minha vida, o meu diário, qual é aberto pra amigos seguirem comigo nessa jornada que se chama vida.
A vida não brinca de faz de conta... faz de conta que tudo é mentirinha! Faz de conta que ao acordar tudo não passou de um sonho ruim... 
Sempre fui uma pessoa sozinha, tive dois relacionamentos bizarros, então, a mais de dez anos descobri que escrever tirava-me do isolamento que me enfiei para proteger-me das dores insuportáveis. Sei que um dia serei capaz de contar causos citando a vida interessante de outras pessoas, mas ainda continuo falando bem e de mal de mim mesma. 
Minha irmã certa vez me disse: - Voce expõe tua privacidade pra todo mundo, acho que ninguém precisa saber o que se passa.
Refleti e pensei: - Muita gente esconde o sol com uma peneira. Não são felizes, pintam um retrato risonho, falsamente feliz e penduram com cuspe numa parde de vidro. Quando ninguém está olhando, o retrato se desmancha em lágrimas, amarguras e caí. Eu não preciso desse desvio, sigo escrevendo em meu diário o que se passa dentro de mim, e compartilho com todos que tenham paciência de ler textos longos. 
Nunca fui uma mulher deslumbrante, sempre passei despercebida pela multidão, sempre fui mais uma somente. Mas sou disciplinada, honesta e trabalhadora, sou muito companheira e justa, claro que tenho virtudes. Porém, que culpa eu tenho se de tempos em tempos a minha vida se transforma em tragédia?
Sempre fiquei invisìvel pra muitos - tornava-me visível quando precisavam de mim. Sempre fui cordata com tudo. A palavra não, não existia pra mim. De tudo, restou-me a solidão enfiada atras de pesados óculos, e um fio de esperança dependurada num fio de cabelo... Não é nenhum pouco confortável resmungar sobre a sobremesa deste domingo, d'um mês de março, dias antes do meu aniversário.
Mas, por favor, me deixem resmungar, ficar carente, nem que seja pra mendigar um punhado de carinho, num momento que ainda me sinto fragilizada.
Eu sei que embarquei numa viagem pela vida que não programei, com direito a todos os percalços. 
Mas sei que estou resmungando porque tô "calentinha hoje"
Como não há mágica pra mudar o rumo da historia, tudo tem seu tempo, tudo tem seu momento, uma exatidão. Porém, sei que posso fazer uma mágica agora, sim, eu posso olhar o futuro pelas frestas da vida e sonhar, sonhar, sonhar...
Otima semana para meus amigos e amigas doces.
Otima semana crianças de todas as idades
bjão

Marilena Salete Marillena Ribeiro
Videira - Santa Catarina
11/3/2013

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